Dia do trabalho

1° de maio

Há mais ou menos um mês, no dia primeiro de maio, foi celebrado o dia do trabalho, um marco para pensar sobre as conquista de trabalhadores e trabalhadoras brasileiros e comparar os regimes laborais de alguns países é uma atividade interessante. Afinal, cada localidade possui um contexto histórico, social e político bastante específico. As noções de produtividade, entrega, prazo, dedicação exclusiva e separação entre os mundos do trabalho e o pessoal vão abrindo espaço para as discussões sobre saúde mental, qualidade de vida, tempo com a família, tempo para estudar e se especializar, tempo de autocuidado e tempo para descanso. Muitas pessoas almejam trabalhos que façam sentido não apenas para sua profissão, mas que possuam relação com assuntos e condutas com as quais elas acreditam, dessa maneira o trabalho está diretamente envolvido com a área pessoal e subjetiva.

Desse modo, percebemos que algumas mudanças nos sistemas e estruturas de trabalho vêm sendo realizadas, e o protagonismo dos trabalhadores é fundamental. Além disso, gerações mais novas abordam as ideias de que o trabalho deixou de ser a conquista mais importante de suas vidas, passou a ser um meio para que os indivíduos realizem seus planos. O trabalho deixou de ser a vida da pessoa e a vida passou a acontecer de forma integrada e sistêmica, sendo o emprego um dos seus elementos. Atualmente, as pessoas estão mais dispostas e têm coragem para mudar de área e carreira, voltar a estudar, aplicarem-se para outras vagas, aceitar desafios, reivindicar por ambientes de trabalho saudáveis, que promovam respeito, colaboração, igualdade e diversidade. Em oposição ao que era esperado e normalizado de um ambiente hostil, violento e causador de sofrimento.

Outro ponto importante é a existência, no imaginário social, da ideia de que fazer sua própria agenda e ser dono do seu próprio negócio é mágico e perfeito. No entanto, apesar de existem inúmeros pontos positivos e várias vantagens sobre tempo e dinheiro, dois fatores que são marcadores de poder, pode existir frustração, instabilidade, indisponibilidade, imprevisibilidade, sofrimento, estresse e adoecimento. É sempre importante sabermos equilibrar nossos sonhos, objetivos e potencialidades com a realidade, estabelecendo uma ordem de prioridades flexível. Nesse sentido, relacionamento, casamento, família, filhos, estudos, descanso e hobbies podem ser escalados como foco principal do momento e o trabalho não vai, nem deve, ocupar sempre a primeira posição dessa lista.

As relações de trabalho sempre serão relações de trabalho, com interesses e dinâmicas singulares, com condutas e expectativas pautadas em descrições e que geram uma contrapartida, seja um salário, um certificado, satisfação pessoal e retorno social em casos de trabalhos voluntários. O trabalho não promove uma relação familiar, são situações e vínculos diferentes, ou seja, é sempre relevante relembrar que trabalho, família, amizades e cônjuges possuem papéis sociais diferentes e não podem ser confundidos, mesmo nos melhores ambientes, com ótimo retorno financeiro e com pessoas maravilhosas envolvidas.

Trabalho, profissão, emprego e cargos possuem um fator de adoecimento e sofrimento elevado, é necessário cuidar da nossa saúde mental e física, equilibrar outros fatores componentes da vida, como lazer, descanso, socialização e atividades com cunho de prospecção futura (cursos, pós-graduação, mestrado, doutorado, concurso, estruturação da própria empresa etc.) Tudo isso na medida do possível e de acordo com a realidade de cada contexto e situação momentânea.

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